Meus olhos mal se agüentam tão abertos. Finjo que não é vida a que se chama. Quem? O que chama? O que queima? O que ainda espera? O que deixou de esperar e já sabe o seu canto?
Esquentar-me junto a um corpo a quem chamarei de amor, jorrar de suor e amor, percorrer as trilhas dos dias e desviá-las de vez em quando para que ainda haja amor, não deixar que os montes deixem de ornamentar a paisagem para se tornarem obstáculos através do qual não te verei, nem você a mim... Deixar que o que nos une seja simplesmente o belo, mesmo que o belo trágico se faça presença pela necessidade de sermos companheiros.
Clamo para que este amor não seja algum prêmio de consolação. No que me tornarei quando olhar no espelho o aceite em que me tornei o que não serei? Nunca! Quantos mistérios na caminhada me dirão se é amor o que venho a sentir, nem que seja consolando um coração solidamente amoroso e gélido como champagne? Servir-se-á como matéria de ritual do que escreveram na história?
Todos os dias a poesia do amor se escreve na fronte como esperança e eu nem noto que ela vem da vida que decorre em cataratas que só eu sei o quanto jorro, ou nem sei. Acontece. Essas coisas não são feitas pra saber, somente para se passar como um caminho infinito entre as cores quentes das árvores outonais, repletas de uma beleza misteriosa, em que ressecam, caem e renascem, diariamente, cotidianamente.
Esqueci que são dias que se fazem em seqüência. Esqueci que precisava saber que o que vivo é amor em carne e alma. Esqueci que os sentimentos não requerem manuais ou diários. A fantasia é vivida e contada pelos que se esquecem de ir lá pra fora ver o sol dar as cores do dia e depois, numa catástrofe quase perfeita, quase trágica, maravilhar-se com o derrame de sangue em pleno azul que vai se escurecendo, para que outros espetáculos aconteçam.
Os dias são vários e, mesmo contidos, transbordam na seqüência do viver.
Não é preciso observar nem lembrar de sentir.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
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