Em algum lugar, por algum motivo, o amor uiva como vento brabo. Não é por conta da lua cheia, que nem ela existe neste momento – mesmo por que nem olhei. É por que arde e não sei por que, e por que, lá no infinito de mim, estão sobrando peças, fazendo troças, praticando velas acesas linearmente como um ritual estético que venha a preencher algum vazio de qualquer cena. Não tenho noção nem sinto. Arde sulfuricamente.
Escrevinhei os traços do teu rosto na janela, pelo desejo de te ter sempre em meu panorama. Neste momento nada ardia. Pra dizer a verdade, nem sabia que existia algo: eu, o traço, a janela, o panorama ou você. Era algo que saltava como se fôssemos ar. Por isso, tudo dissolvia em existência pura e simples. Não havia a mínima intenção. Roubaram-me as mãos e os olhos e os sentidos e se fazia você. Um instante de honra à nossa existência. Não havia intenção!
Tinha cheiro de vermelho na lembrança daquela hora. Era a carne acesa nas velas que dirigiam os olhares em que te retratava. Um movimento quase teu, pouco me asseguro, ainda, da autoria. Bebi-te inteiramente, num só gole.
sábado, 19 de julho de 2008
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